Animação Frame a Frame e Cut-out.

Olá, querido leitor! Neste post, vou explicar de forma simples a diferença entre animação frame a frame, também conhecida como animação quadro a quadro, e animação cut-out. Vale lembrar que ambos os processos ainda são amplamente usados e que muitas produções, para alcançar resultados mais sofisticados em menos tempo, costumam misturar as duas técnicas.


Animação Frame a Frame

Vale destacar para o leitor mais experiente em animação que não estou me referindo à diferença entre animação direta e animação quadro a quadro, pois essa distinção está relacionada a um dos princípios da animação, que abordarei em outro momento. Aqui estamos falando de processos e técnicas de construção das animações.

Quando surgiram os primeiros softwares de animação 2D para substituir o processo manual, que consistia em desenhar diretamente em folhas de acetato sobrepostas na cena e fotografadas, eles acabavam imitando esse método, exigindo o desenho de todas as poses que compunham o movimento. Ou seja, era preciso repetir todo o processo tradicional: rascunho, arte-final, colorização e intervalação dos momentos.

Essas etapas possuem termos técnicos específicos que não tratarei agora. Esse método era usado em programas como o Toonboom (antes de se tornar Harmony) e o Flash (antes de se tornar Animate), que utilizo desde 2004, quando aprendi o software, e profissionalmente a partir de 2005. Hoje existem diversas ferramentas que seguem esse processo.

Na imagem, o quadrado vermelho destaca uma sequência de pontos pretos na linha do tempo da animação, sendo que cada ponto preto representa um desenho. Esse momento retrata a água batendo na tela, e o leitor pode conferir no link abaixo (no minuto: 1min 17seg).


Animação Cut-out

Com os avanços nas técnicas de animação 3D, novas ideias e ferramentas começaram a surgir, entre elas um conceito muito interessante: o de bones (ou ossos, em português). Mas o que isso significa? Já viu Toy Story? Pois é, o filme que popularizou o 3D e conta a história de bonecos. Para movimentar esses personagens em animações ou jogos 3D, são usados bones, que funcionam como seus equivalentes no mundo real. Ou seja, eles são ligados a partes do corpo do personagem que estamos animando. Por exemplo: se meu personagem tem um pescoço e eu quero movê-lo de um lado para o outro, basta movimentar o osso, e ele movimenta o pescoço.

Calma, vamos facilitar. No 3D, cada parte do corpo tem um osso, e a gente não anima o corpo diretamente, mas sim os ossos, que por sua vez animam o corpo. Essa técnica despertou o interesse de trazê-la para o 2D, surgindo assim o Cut-out, que é basicamente cortar um desenho 2D em partes para serem animadas individualmente. Assim, não é preciso intervalar (processo de desenhar as poses entre os quadros-chave), pois o software reconhece cada parte como um objeto e a movimenta sem a necessidade de novos desenhos.

Na imagem, em destaque, vemos a linha do tempo da animação. À esquerda, é possível identificar várias partes do corpo e como o software conecta cada uma delas. Por exemplo: orelha e rosto estão ligados a “cab” (abreviação de cabeça), assim, ao movimentar a cabeça, o software automaticamente move tudo o que estiver conectado. À direita, aparecem faixas roxas e os conhecidos pontos pretos. Os pontos pretos são os quadros-chave, enquanto o roxo representa a interpolação feita pelo software. Note que não é necessário ter muitos pontos pretos, pois o software completa o movimento para o animador.

Na imagem abaixo, a cabeça se move para o outro lado, com o recorte destacado por uma moldura de linhas pretas finas e pequenos quadrados ao longo delas. Na boca, uma bolinha branca indica o ponto de pivô, que é o centro da rotação.

Alguns softwares 2D usam ossos de forma semelhante ao 3D, mas no exemplo citado movimentamos os próprios recortes do desenho como objetos. Em resumo, a diferença é que no frame a frame tudo é desenhado, enquanto no cut-out recortamos o desenho em partes que são movimentadas separadamente, economizando muitos desenhos e tempo. Para uma boa produção, porém, geralmente misturamos as duas técnicas, já que o cut-out pode ser um pouco limitado em certos movimentos.

Espero ter ajudado!
Até o próximo post.

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